# Cibersegurança no Brasil - educação e investimentos

Autor: João Moreno Rodrigues Falcão
Publicado em: 2019-06-25
Tema: Hacking
URL canônica: https://www.falcaomoreno.com.br/post/2019-06-25-cybersecurity-in-brazil-education-and-budget/

Muito há se falado no ambiente da Governança da Internet sobre a possível fragmentação da rede causada pela sua insegurança. Ou seja, a ideia de uma teia interconectada de computadores pode ruir por culpa da necessidade de proteção de ativos online. Esse dircurso tem muita projeção internacional e um exemplo disso é que ele foi abordado no [discurso de abertura do Presidente Macron](https://www.youtube.com/watch?v=RULIwizlqe8) durante o IGF de Paris (por volta do minuto 7 ele aborda esse tema várias vezes).

Partindo do pressuposto de que a possível fragmentação da rede causada pela inseguraça é uma preocupação válida, decidi investigar um pouco sobre o que está mudando no panorama da Segurança da Informação no Brasil e tentar imaginar se essa preocupação é também compartilhada no país.

Antes de começar a apresentar minha pesquisa, eu tenho um depoimento interessante a fazer sobre o tema. Frequento um evento chamado [Hackers to Hackers Conference](https://www.h2hc.com.br), ele é um evento de segurança bem tradicional do Brasil, já tem 16 anos. E a desde a primeira vez que eu fui, em 2015, eu estou notando uma mudança no público. Na minha primeira edição o público era basicamente dividido em duas partes, os curiosos e hobistas e a velha guarda brasileira que em sua maioria esmagadora trabalhava com segurança **fora do Brasil**. Já no último ano a maioria das pessoas que eu conheci estão trabalhando na área de segurança **no Brasil**. Achei muito louco essa mudança de público, porque o evento quase duplicou de tamanho nesse intervalo. E nas vezes que conversei com trabalhadores da área a maioria deles está trabalhando em setores recém criados.

## Educação

Normalmente as pessoas começam a trabalhar em um ramo após o estudo formal das disciplinas necessárias para aquele trabalho. Portanto tentei imediatamente traçar um paralelo entre a abertura de cursos técnicos sobre Segurança da Informação e um aumento na importância do tema. Coletei dados pelo [portal do MEC](http://emec.mec.gov.br) e para a minha surpresa, não consegui enxergar a correlação que esperava (Os dados estão normalizados, a esquerda está a escala do total de cursos e a direita está a escala do número de cursos de segurança):

![Cursos técnicos voltados a área de Segurança da Informação](/technical-courses.png)

Parece que a criação de cursos na área de Segurança da Informação está abaixo da tendência de criação de cursos técnicos em geral. Imagino três explicações possíveis para esse fenômeno:
- A cultura autoditada na comunidade hacker reduz a necessidade e a procura de cursos específicos;
- A sociedade brasileira não se importa com segurança o suficiente;
- Mesmo quando valorizado, o mercado de segurança da informação é muito pequeno para estimular uma variação sensível na criação de cursos.

Tentar buscar respostas acessando os dados sobre educação me trouxe mais dúvidas do que respostas, então que tal mudar a abordagem? Vamos seguir o dinheiro.

## Investimentos

Em uma [reportagem](https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2019/05/10/internas_economia,1052627/ciberseguranca-ainda-nao-e-prioridade-para-bancos.shtml) recente, o Jornal Estado de Minas defende a visão de que a ciberseguraça ainda não é prioridade no Brasil para os bancos. O que nos deixa pensando, se nem os bancos se preocupam quem irá se preocupar?

Por outro lado a Tempest, uma grande empresa de segurança do Brasil, fez um [estudo](https://cryptoid.com.br/pesquisas-seguranca-da-informacao-e-ciberseguranca/tempest-apresenta-primeiro-estudo-do-mercado-brasileiro-de-ciberseguranca/) com os seus clientes e consolidou:

![Gasto em cibersegurança nas empresas](/cybersecurity-budget.png)

A Tempest estima que "para 2019, 38,8% das empresas ouvidas afirmaram que a expectativa é incrementar este orçamento em até 20%. Por outro lado, 30,9% afirmam que a variação positiva não deve ultrapassar os 5%". Lembrando que essa empresa tem interesse no aumento do orçamento em segurança o que é um fator que pode enviesar o resultado.

## Opinião

Após a minha curta pesquisa, acredito que o Brasil atualmente dá pouca importância à cibersegurança. Isso está mudando, mas dependemos do futuro para saber se alcançaremos os padrões internacionais.

Agora, voltando à discussão sobre a fragmentação da rede, eu não vejo ela nem perto de ser pautada no Brasil, pois a realidade brasileira é que não nos importamos com a cibersegurança, muito menos aos impactos que a falta dela pode causar à infraestrutura da Internet.
